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Como comprar um imóvel no estrangeiro à distância: o guia para o fazer em segurança

HomeNSearch Editorial|| 11 min de leitura
Como comprar um imóvel no estrangeiro à distância: o guia para o fazer em segurança

Há dez anos, enviar as poupanças para outro país para comprar um apartamento onde nunca se tinha posto os pés soava a história de burla. Hoje é rotina: os registos prediais tornaram-se digitais, a videochamada passou a ser a forma normal de ver seja o que for, e nos mercados mais movimentados há advogados a fechar negócios para compradores ausentes todas as semanas.

Ser rotina não significa ser seguro por defeito. O risco não desapareceu — mudou de lugar. Quando se compra pessoalmente, os próprios olhos fazem parte da verificação. Quando se compra à distância, é o procedimento que tem de fazer tudo isso. É disso que trata este guia: videochamadas ao vivo, um advogado independente, procuração, escrow, verificação registral e o que acontece depois de as chaves serem suas. Siga toda a cadeia e comprar à distância não é mais arriscado do que da forma habitual. Salte um elo e está a apostar às cegas.

Quando faz sentido comprar à distância

Nem todas as compras se prestam da mesma forma a um negócio à distância. O caso clássico é o imóvel novo de um promotor estabelecido: a fração 6B é idêntica à 7B um piso acima, e uma visita ao local revela pouco que as plantas, as condições do escrow e o historial do promotor já não digam. Os apartamentos de investimento que vai arrendar e raramente vai ver também encaixam bem, tal como uma segunda compra numa cidade que já conhece rua a rua.

Os imóveis usados são mais complicados. Humidade, barulho da rua às duas da madrugada, uma escada que cheira a peixe frito do vizinho: nada disso aparece numa câmara. E se for o sítio onde a sua família vai efetivamente viver, viaje pelo menos uma vez antes da escritura, mesmo que todo o resto do processo legal continue à distância. Uma regra razoável: compre à distância o que é padronizado, e apareça pessoalmente perante o que é único.

Videochamadas que dizem mesmo alguma coisa

Um vídeo promocional bem produzido é marketing. O que precisa é de uma chamada ao vivo em que é você a dirigir a câmara.

Dirija-a, então. Peça ao agente para abrir o quadro elétrico, testar todas as torneiras, dar autoclismo, abrir as janelas para ouvir a rua, mostrar a vista de cada divisão, sair pela porta principal, virar a câmara para os edifícios vizinhos e percorrer de carro o caminho até à praia ou à escola. Marque duas chamadas em horas diferentes: um apartamento luminoso e sossegado de manhã pode ter em frente uma discoteca que só existe à noite.

Peça depois a gravação em bruto dessa mesma chamada, enviada no próprio dia, sem cortes e com a data visível. Uma recusa, ou a chegada em vez disso de um vídeo primorosamente editado, já lhe diz muito. Faça também os seus próprios trabalhos de casa: vista de satélite para ver se há uma obra ao lado, Street View para a realidade do rés do chão, e uma pesquisa reversa de imagens nas fotos do anúncio para confirmar que não vieram de outro projeto.

Um advogado independente, pago por si

A decisão de segurança mais importante numa compra à distância não é o país nem o promotor. É quem verifica os documentos — e essa pessoa tem de trabalhar só para si.

A agência vendedora vai propor-lhe um "advogado recomendado". O promotor tem uma equipa jurídica interna disposta a explicar-lhe o contrato. Recuse ambos, com educação. A independência só se consegue de uma forma: foi você quem encontrou o advogado, quem o contratou, quem lhe paga.

Verificar as credenciais à distância é perfeitamente possível: confirme a inscrição na ordem online, peça o comprovativo do seguro de responsabilidade civil profissional, feche os honorários por escrito antes de qualquer trabalho começar, e garanta que partilham um idioma ou têm um tradutor ajuramentado. Um bom advogado local faz a pesquisa do título, esmiúça o contrato, redige a procuração e, muitas vezes, faz o dinheiro passar pela sua conta de clientes, para que nunca chegue cedo demais às mãos do vendedor.

A procuração, sem mistério

A procuração é o que torna possível comprar à distância: um documento autenticado que permite ao seu advogado, ou a outra pessoa da sua confiança, assinar a compra em seu nome. O mecanismo é enfadonho, o que é bom sinal. Na maioria dos países a sequência é esta:

  1. O seu advogado redige o texto da procuração de acordo com os requisitos locais.
  2. Assina-a perante um notário no seu país, ou no consulado do país de destino na sua cidade.
  3. O documento notarial recebe uma apostila ao abrigo da Convenção da Haia (desnecessária se assinou no consulado).
  4. Um estafeta entrega o original, e o seu advogado trata da tradução ajuramentada.

Mantenha-a limitada. Indique o imóvel exato, fixe um preço máximo, ponha uma data de validade, exclua qualquer direito de revenda ou hipoteca. Uma procuração assim restrita serve de pouco a quem a quisesse usar mal, e pode revogá-la a qualquer momento pelo mesmo canal notarial.

Algumas jurisdições já aceitam procurações autenticadas à distância ou assinadas eletronicamente, feitas numa videochamada com o notário. A maioria ainda exige tinta, carimbo e apostila. Pergunte ao seu advogado qual o regime aplicável antes de marcar seja o que for; a resposta muda de país para país e, por vezes, de ano para ano.

O contrato de reserva e o primeiro dinheiro que envia

A dado momento o agente vai pedir um sinal de reserva para retirar o imóvel do mercado. Normal. Assinar o que chegar à caixa de entrada dentro da hora seguinte, não é.

Envie o contrato de reserva ao seu advogado antes de pagar seja o que for. Precisa de três respostas do documento: quando o sinal é reembolsável, quanto tempo dura a reserva, e se está condicionado a uma due diligence sem problemas. Uma redação vaga sobre o reembolso significa, na prática, nenhum reembolso. E desconfie da própria urgência: "outro comprador vai vê-lo esta tarde" é o truque mais velho do ofício, e funciona ainda melhor com alguém a três fusos horários de distância.

Disciplina de escrow: o dinheiro fica dentro do processo legal

Uma única regra evita a maior parte dos desastres nas compras à distância:

O dinheiro só se move para contas que existem dentro do processo legal: o depósito do notário, a conta de clientes do seu advogado, um escrow bancário, ou uma conta de garantia regulada do promotor. Nunca para uma conta pessoal, seja qual for o nome nela e por melhor que soe a razão.

Todos os mercados estabelecidos têm uma versão deste mecanismo. No Dubai, os promotores são obrigados a receber os pagamentos de imóveis em planta através de contas escrow fiscalizadas. Em boa parte da Europa, é o notário ou o advogado do comprador que retém os fundos até à transmissão da propriedade. O seu advogado conhece a prática local; o seu trabalho é recusar qualquer outra via. Pedidos para "poupar em comissões" transferindo diretamente para o primo do vendedor são precisamente a forma como os sinais desaparecem.

Espere perguntas também no sentido inverso. Os bancos do país de destino vão querer saber de onde vem o seu dinheiro antes de o aceitarem. Monte o dossiê de origem de fundos com antecedência: declarações de IRS, o contrato de venda de um imóvel anterior, extratos que mostrem as poupanças a acumular-se. Fazê-lo antes da transferência leva uma tarde. Fazê-lo depois de a transferência ser devolvida leva semanas.

Câmbio: o custo que não está no contrato

O contrato indica um número fixo. O que a compra lhe custa de facto é definido pela taxa de câmbio do dia em que cada pagamento sai da sua conta. Entre um banco tradicional e um corretor de câmbio especializado, a diferença numa transferência de seis dígitos é dinheiro a sério, e num plano de pagamentos em planta esticado por dois anos o risco cambial cresce, em silêncio, mais do que a maioria dos compradores espera.

Compare a taxa do seu banco com a de pelo menos um corretor de câmbio regulado antes do primeiro pagamento. Para pagamentos faseados, pergunte pelos contratos forward, que fixam hoje a taxa para transferências que fará daqui a meses. E envie um pequeno valor de teste antes do saldo; um erro de digitação num IBAN sai muito mais barato de descobrir nessa escala.

Confirme a titularidade você mesmo: os registos tornaram-se digitais

Não precisa de acreditar na palavra de ninguém sobre quem é o dono do imóvel. Numa lista cada vez maior de países o registo predial está online, e uma certidão custa pouco ou nada.

A Geórgia é o exemplo mais nítido. O seu registo é totalmente digital, as certidões são públicas, uma venda concluída regista-se em cerca de um dia útil, e comprar através de procuração é prática do dia a dia. Essa combinação explica por que comprar na Geórgia convém tão bem a quem compra à distância. O Dubai é o outro destaque: os títulos de propriedade são eletrónicos e as transações registam-se rapidamente no Dubai Land Department, pelo que uma compra nos Emirados pode ser verificada do início ao fim sem tocar em papel.

Onde quer que compre, peça ao seu advogado que tire a certidão e lha explique numa chamada. O nome do vendedor deve coincidir com o do passaporte. Sem hipotecas, sem penhoras, sem anotações judiciais. Para obra nova, acrescente o alvará de construção e os direitos do promotor sobre o terreno. Exija os documentos originais e não um resumo; pode não ler o idioma, mas a tradução ajuramentada é sua, para guardar e para questionar.

A escritura, e o que vem depois

No próprio dia, o seu procurador assina perante o notário, o escrow liberta-se, o registo averba a transmissão. Recebe primeiro as digitalizações, depois os originais por estafeta. Deve parecer um anticlímax. É o procedimento a funcionar.

Depois começa a propriedade a sério, e a distância passa a custar dinheiro se não a tiver previsto. É preciso mudar os contadores para o seu nome. A maioria dos países espera alguma declaração fiscal dos proprietários não residentes, mesmo sem rendas. Um gestor de propriedades local trata do resto: chaves, contas, vistorias, inquilinos se estiver a arrendar. Combine por escrito o âmbito do serviço e peça relatórios de vistoria com fotos a intervalos fixos, em vez de uma promessa de "ficar de olho".

Se ainda está na fase de pré-seleção, o catálogo da HomeNSearch cobre 13 países, e todos os passos deste guia se aplicam a qualquer um deles.

Sinais de alerta: quando parar

Qualquer um destes é motivo para fazer uma pausa. Dois ou mais, vá embora.

  • Pagamento pedido para uma conta pessoal, ou dados bancários alterados por email à última hora.
  • Nenhuma videochamada ao vivo oferecida, só imagens editadas.
  • Uma procuração redigida pelo lado do vendedor, ou em nome de alguém ligado a ele.
  • A agência insiste no seu próprio advogado e desencoraja uma revisão externa.
  • Um preço muito abaixo de anúncios comparáveis, com uma história por trás.
  • Desculpas para não mostrar a certidão do registo antes do sinal.
  • Um projeto em planta sem conta escrow onde a lei a exige.
  • Contratos só num idioma que não lê, sem tradução ajuramentada oferecida.

Nenhum destes prova, por si só, fraude. Mas cada um inclina a balança contra si, e a vista para o mar não muda essa aritmética.

Perguntas frequentes

Posso concluir toda a compra sem alguma vez visitar o país?

Na maioria dos mercados estabelecidos, sim. Uma procuração permite que o seu advogado assine por si, o dinheiro passa pelo escrow, e o registo inscreve-o como proprietário enquanto fica em casa. Compras em planta e de investimento fecham-se assim constantemente. O único passo que vale a pena fazer pessoalmente, se conseguir, é a visita final a um imóvel usado onde vai viver.

É perigoso dar uma procuração a alguém?

Não, se for limitada. Restrinja-a a um único imóvel identificado, fixe um preço máximo, acrescente uma data de validade, e entregue-a a um advogado independente, nunca a alguém do lado do vendedor. Redigida assim, serve para pouco mais além da sua transação, e pode revogá-la junto do notário sempre que quiser.

Qual é a forma mais segura de pagar?

Através do processo legal, nunca à margem dele. Isso significa um escrow notarial ou bancário, a conta de clientes do seu advogado, ou uma conta de garantia regulada do promotor para projetos em planta. Se pagar noutra moeda, use um corretor de câmbio regulado para a troca e envie uma pequena transferência de teste antes do valor principal.

Quais são os países mais fáceis para quem compra à distância?

Procure duas coisas: um registo predial digital que possa consultar você mesmo e uma prática consolidada de procuração. A Geórgia cumpre ambas, com vendas a registar-se em cerca de um dia útil. Os Emirados têm um sistema de títulos eletrónico através do Dubai Land Department. Entre os 13 países da HomeNSearch, esses dois costumam ser a resposta habitual, embora um bom advogado local torne uma compra à distância viável em quase qualquer lugar.

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